Droga acelera redução de peso

setembro 15th, 2016 | Posted by Giselle in Arquivo

Dinamarqueses concluem que a tesofensina, substância usada contra os males de Alzheimer e de Parkinson, pode ser duas vezes mais eficiente que medicamentos atuais. Pacientes perderam 12,8kg em seis meses

O que era para ser uma droga voltada ao combate dos males de Parkinson e de Alzheimer tornou-se uma potencial promessa contra a obesidade — doença que afeta cerca de 400 milhões de pessoas em todo o mundo e consome até 6% dos gastos em saúde nos países desenvolvidos. Um estudo publicado na revista científica The Lancet e de autoria do dinamarquês Arne Astrup, da Universidade de Copenhague, revelou que a tesofensina pode produzir o dobro da perda de peso obtida com o uso dos medicamentos atualmente comercializados.
A pesquisa começou com 203 voluntários pesando mais de 100kg, mas 42 deles desistiram antes da conclusão dos testes. Astrup e seus colegas prescreveram uma dieta pobre em calorias e uma dose diária de 0,25mg da droga para 52 pacientes; 0,5mg para 50 deles e 1mg para 49 — o tratamento durou seis meses. Os cientistas ofereceram placebo (substância inerte) a 52 pessoas. Os 49 pacientes que receberam 1mg diários de tesofensina perderam até 12,8kg. Os cientistas detectaram ainda uma diminuição de 6,7kg no peso para uma dose diária de 0,25mg da substância e de 11,3kg para 0,5mg. O grupo do placebo teve uma redução de 2,2kg.
O segredo da tesofensina está no aumento simultâneo da neutrotransmissão de dopamina, noradrenalina e serotonina no cérebro. Cada uma dessas três substâncias exerce importantes funções ligadas ao apetite. Por exemplo, a dopamina age no núcleo accumbens, um grupo de neurônios que modula a recompensa e a sensação de prazer obtida com a comida. Os outros dois transmissores atuam no hipotálamo para aumentar o metabolismo e reduzir o apetite. O medicamento suprime a fome, levando a um déficit de energia que acaba por queimar o excesso de gordura no corpo.
“É bastante sólido o fato de que esse estudo parece produzir até o dobro da perda de peso do que podemos ver em compostos existentes no mercado”, afirmou Astrup à agência de notícias Reuters. “Muitos médicos sempre dizem que precisamos de mais drogas eficientes que tornem a cirurgia (bariátrica) desnecessária, e essa é a primeira abertura nesse sentido”, acrescentou.
Impressionante
Em entrevista ao Correio, Márcio Mancini, presidente do Departamento de Obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), admitiu que a perda de peso apresentada pela tesofensina é “impressionante”. “A maioria dos remédios leva a uma redução de 10kg em seis meses e à manutenção do peso ao longo de um a dois anos”, explicou o especialista. Segundo ele, a expectativa média é de uma perda de 10% do peso corporal. “É importante lembrar que o estudo não foi desenhado para tratar a obesidade e, provavelmente, alguns pacientes eram magros, enquanto outros tinham excesso de peso”, comentou.
Mancini defende novos estudos que avaliem particularidades do paciente obeso, como o grau de diabetes e o nível de triglicérides. Ainda assim, ele reconhece a importância da descoberta de Astrup. “Isso pode abrir uma nova área de pesquisa em torno de substâncias parecidas e capazes de apresentar resultados até melhores”, disse. O médico vê com preocupação a busca indiscriminada pelas drogas para emagrecimento. “Os remédios para tratamento da obesidade são controlados e, teoricamente, sua venda pela internet é crime e deveria ser energicamente fiscalizada pela Vigilância Sanitária”, alertou. Até ontem, um famoso site de relacionamentos da rede mundial de computadores não exibia comunidades sobre a tesofensina — já o rimonabante é comercializado sem pudor na internet.
“Não fiquei surpreso com os resultados do estudo de Astrup, já que uma droga eficiente deveria facilitar uma perda de 10% do peso em seis meses”, afirmou ao Correio o norte-americano David L. Katz, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Yale. No entanto, ele admitiu que ficará entusiasmado caso os benefícios do medicamento sejam mantidos a longo prazo sem efeitos colaterais. Questionado sobre a possibilidade de comercialização da tesofensina, Katz disse acreditar que isso deve ocorrer entre 2011 e 2014, caso os próximos testes sejam bem-sucedidos.
O que mais preocupa os cientistas são justamente as reações adversas propiciadas pelo medicamento. Eles constataram um aumento da pressão sangüínea em pacientes que receberam doses diárias de 1mg. Outras queixas comuns foram as de boca seca, náusea, constipação, diarréia, insônia e fezes rígidas. Os autores da pesquisa descobriram que uma dosagem de 0,5mg é mais eficiente por produzir perda de peso semelhante com menos efeitos colaterais.
ARMAS CONTRA A GORDURA
Principais medicamentos utilizados no tratamento da obesidade
CATECOLAMINÉRGICOS
Dietilpropiona
Também conhecida como anfepramona, é comercializada com os nomes de Dualid S, Hipofagin S e Inibex S. Por atuar no sistema nervoso central, costuma ser pejorativamente chamada de anfetamina. Sua principal função é reduzir o apetite
Fenproporex
Droga estimulante usada como supressor de apetite. Também produz anfetaminas como metabólito e é proibida em vários países pelo risco de dependência. É vendida com os nomes de Desobesi–M, Inobesin e Lipomax
Manzidol
Com os nomes comerciais de Absten-Plus, Diazinil e Dobesix, também reduz a produção do neurotransmissor noradrelina, reduzindo o apetite
Efeitos colaterais: palpitação, taquicardia, aumento da pressão sangüínea, visão borrada, nervosismo, cansaço, insônia, ansiedade, euforia, depressão, tremor, dilatação da pupila, dores de cabeça, vômito, diarréia, desconforto abdominal, boca seca, náusea e constipação
SIBUTRAMINA
Lançada em 1998, aumenta a saciedade, fazendo com que o obeso se satisfaça com menos comida. É como se o cérebro acionasse um botão para reduzir a compulsão alimentar. Nomes comerciais: Reductil e
Plenty
Efeitos colaterais: dor de cabeça, insônia, boca seca e agitação
ORLISTAT
Comercializado com o nome Xenical, tem um mecanismo de ação diferente: em vez de agir sobre o apetite, aumenta a excreção de gordura nas fezes e faz com que 30% da gordura dos alimentos que chegam ao intestino não sejam absorvidas
Efeitos colaterais: diarréia, esteatorréia (diarréia gordurosa), dor abdominal, flatulência e incontinência fecal
RIMONABANTE
O mais recente e famoso medicamento contra a obesidade diminui o apetite, reduz a gordura abdominal, melhora o triglicérides e estabiliza a pressão arterial. É vendido com os nomes de Acomplia, Bethin, Monaslim, Remonabent, Slimona, Rimoslin e Zimulti
Efeitos colaterais: mudanças de humor, depressão, náuseas e tonteiras –

Fonte: CORREIO BRAZILIENSE • MUNDO • 24/10/2008

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