Em Busca da Solução

setembro 15th, 2016 | Posted by Giselle in Arquivo

Uma vez detectado o problema, é preciso procurar tratamento o mais cedo possível. E novamente o papel da família é fundamental, pois muitas vezes cabe a ela ver se está acontecendo algo errado com seus filhos.
É bom que se saiba que uma anoréxica dificilmente procura ajuda sozinha. Há casos de pessoas que chegam a pesar 15 quilos e não acham que estão doentes. “A grande dificuldade é que normalmente as pessoas demoram em média de 2 a 5 anos para procurar ajuda. Os pacientes não sabem que têm o problema e a família não percebe que algo está anormal. Dessa forma, a doença acaba se tornando crônica”, adverte a psiquiatra do Proata.
O momento ideal de procurar tratamento é assim que o distúrbio for detectado, em casa mesmo. O primeiro passo é consultar um psiquiatra ou psicólogo, que irá fazer o diagnóstico correto e encaminhar o paciente para um especialista da área ou um centro específico.
Porém, um empecilho é que, por enquanto, somente as principais cidades brasileiras contam com locais específicos de tratamento dos distúrbios alimentares. Em São Paulo há o Proata (Tlnifesp) e o Ambulim (HC), que atendem pacientes do país inteiro. Além destes, podem ser encontrados centros na Bahia, no Rio de Janeiro, no Rio Grande do Sul e em Belo Horizonte. Se na sua cidade não há um centro de tratamento, procure um hospital público ou marque uma consulta com um psicólogo. Seu caso será analisado e você será encaminhado para um profissional específico.
O tratamento convencional é realizado por uma equipe multidisciplinar e conta com a participação de nutricionista (que fala sobre a importância da alimentação correta), psiquiatra (que, dependendo do problema emocional do paciente pode receitar remédios como antidepressivos ou ansiolíticos), psicólogo (que fará a pessoa entender o motivo da compulsão ou porque ela deixa de comer) e um professor de educação fisica (que indica a atividade fisica adequada para cada um e faz o acompanhamento). O tratamento é longo e pode durar até três anos, Após a alta, o paciente continua com acompanhamento do psicólogo por algum tempo, garantindo a total recuperação e minimizando uma possível recaída.
Pioneiro no mundo, o Ambulim está inovando e começa a testar um tratamento em grupo para anorexia. “A literatura médica afirma que quando se coloca jovens juntas durante um tratamento, elas acabam competindo entre si pela magreza e o tratamento não surte efeito. Nós estamos estudando e queremos tentar provar o contrário, que as jovens podem sim ajudar umas às outras”, afirma o psicólogo Cristiano Nabuco.
Segundo estudos do Ambulim, após o tratamento entre anoréxicos e bulimicos, cerca de 1/3 dos pacientes conseguem se curar. Outro 1/3 melhora mas mantém o distúrbio, com algumas recaídas e no 1/3 restante, o problema torna se crônico. Em relação aos compulsivo o ambulatório observa baixo índice de recaída. O que muitas vezes acontece de uma pessoa que já teve compulsão ir a uma festa e comer demais naquele dia. Mas isso não significa uma recaida, Trata-se apenas de um “lapso”, uma vez que ela estava em um ambiente que favoreceu a compulsão e no dia seguinte tudo voltou ao normal.
Como em qualquer doença, o ideal seria a prevenção. Mas os diversos fatores que levam ao aparecimento dos distúrbios alimentares e a possível existência da predisposição genética dificultam uma atitude preventiva.
De qualquer forma, para tentar evitar a manifestação dos distúrbios o papel da família é essencial. É importante manter diálogo com os filhos ensiná-los a comer corretamente, não incentivá-los a cultuar um corpo perfeito — pelo contrário, deve-se mostrar a eles que cada um é diferente do outro e belo do seu jeito.
As escolas também podem auxiliar organizando palestras com médicos, psicólogos e professores de educação fisica para alertar os jovens sobre os riscos dos distúrbios alimentares.
Também é fundamental ter uma vida saudável, preocupar-se mais com a saúde (e não tanto com a estética) e fazer algum exercício fisico que dê prazer. No caso da compulsão, é preciso aprender a lidar melhor com os problemas do dia-a-dia, seja procurando ajuda psicológica quando necessário ou fazendo uma atividade que traga mais tranqüilidade e equilíbrio, como caminhadas e natação. Acima de tudo, é preciso ter um relação saudável com a alimenta ção e com o corpo e aprender a se gostar do jeito que se é. Com as qualidades e também com as imperfeiçóes.

Fonte: Vida e Saúde

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