O sonho e a realidade dos obesos brasileiros

setembro 15th, 2016 | Posted by Giselle in Arquivo

Critérios de seleção de pacientes e cuidados pré e pós-operatórios podem prevenir complicações na perda de peso

Recentemente o Ministério da Saúde decidiu ampliar para R$ 13 milhões, em 2007, os R$ 8 milhões anteriormente previstos em cirurgias bariátricas e respectivos tratamentos pré e pós-operatórios. Considerando que cerca de 30% dos brasileiros são considerados obesos, pode-se dizer que o sonho de muitas pessoas ficou mais próximo de se tornar realidade.

No entanto, de acordo com o médico nutrólogo Fernando Chueire, nem todos os obesos estão aptos a participar da cirurgia, que dispõe de um processo de escolha altamente rigoroso. Conforme explica o médico da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), os candidatos à cirurgia devem passar por uma preparação que inclui redução de 10% do peso máximo que o paciente já apresentou em toda a sua vida, com finalidade de facilitar o procedimento cirúrgico tecnicamente e evitar as possíveis complicações intra e pós operatórias.

O acompanhamento pré e pós-operatório da cirurgia bariátrica é de extrema importância para que o paciente perca peso de forma segura e controlada. “A alimentação balanceada após a operação, fracionada e saudável diminui o risco de o paciente apresentar complicações metabólicas causadas por vômitos freqüentes que levam à perda de eletrólitos, como potássio, sódio e magnésio, por exemplo, além da perda progressiva de peso, diminui e ou controla significativamente as comorbidades como hipertensão arterial, diabetes e osteoartrites”.

Segundo o Dr. Chueire, a dificuldade de aderência dos pacientes pós cirurgia à dieta recomendada, também pode causar deficiência de vitaminas hidro e lipossolúveis, anemia e distúrbios hidroeletrolíticos ou até acúmulo de líquidos em tecido subcutâneo devido à deficiência protéica (desnutrição protéico energética).

Tratamento da obesidade mórbida exige mudança no estilo de vida

No Brasil, o número de pessoas obesas cresce tanto na população adulta como na infantil. A obesidade já virou problema de saúde pública. Segundo dados recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de um bilhão de adultos estão com sobrepeso, desses 17,6 milhões são crianças. Na mesma velocidade que cresce a obesidade, aumenta a procura pela cirurgia bariátrica, indicada para pacientes mórbidos – aqueles cujo Índice de Massa Corporal (IMC) está acima de 40. Por ano, 10 mil obesos são submetidos ao procedimento no Brasil.

O cirurgião do aparelho digestivo Ronaldo Cuenca explica que em todos os casos a cirurgia deve estar associada à mudança do estilo de vida.

Como podemos definir cirurgia bariátrica corretamente?
A operação deve ser encarada como uma ferramenta para o emagrecimento, porque ela não é somente redução do estômago. Existem diferentes técnicas com passos cirúrgicos onde a redução é apenas um deles em algumas técnicas e em outras, o tamanho do estômago se mantém original.

Atualmente, quais são as técnicas utilizadas?
Existem várias técnicas sendo empregadas em todo o mundo. Então, nós temos as operações restritivas, que promovem a perda de peso por meio do fechamento de partes do trato digestivo. As disabsortivas, recomendadas apenas para casos especiais, onde parte do estômago é ressecado e um grande segmento intestinal é ultrapassado. E ainda podemos destacar as operações mistas, que associam as vantagens da restrição do alimento levando os obesos a perder peso com boa qualidade de vida.

A obesidade cresce devido à mudança no estilo de vida? Os obesos mórbidos teriam escolha se adotassem dietas saudáveis ou não?
Com certeza, a obesidade está diretamente relacionada aos hábitos de vida e, principalmente à maneira que comemos. Quase sempre criamos dificuldade para adotarmos uma alimentação correta.

Há cerca de quatro anos houve uma supervalorização da cirurgia bariátrica como solução definitiva para a obesidade mórbida. O que aconteceu de lá pra cá?
Estamos vendo hoje que pessoas operadas há cinco anos ou mais estão ganhando peso, porque acharam que a operação era a única providência a ser tomada e isso está longe de ser a verdade.

Diante dessa nova realidade, na qual 25% dos pacientes voltam a engordar após dois anos, qual é a saída?
A saída é a conscientizar a população que a operação consiste apenas em uma etapa do tratamento e existe a necessidade complementar da mudança do estilo de vida.

No futuro, como serão tratados os obesos mórbidos?
Teremos medicações eficientes que poderão dar o mesmo resultado das operações, mas não os atuais medicamentos. Vão surgir novos, com comprovação científica da sua eficiência e poderemos tratar as pessoas sem a necessidade de cirurgia.

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